No caminhar diário, enfrentamos muitas coisas com tranquilidade. Vivemos cercados de possibilidades e as surpresas fazem os nossos dias menos enfadonhos. No entanto, todas as más surpresas são rejeitáveis.
Nossos planos nunca contemplam doenças, velhice, acidentes e outras coisas que, diante do senso comum, pensar até "dá azar". Mas como estar preparados para aquilo que, de fato, sempre buscamos evitar? Nem os mais antigos sábios se aventuraram a pensar no dia de amanhã como um dia de certezas inalienáveis, onde podemos esperar tudo o que pensamos, inclusive a invulnerabilidade para como as nossas limitações.
A ideia de um futuro como algo que não aconteceu, mas que de alguma forma "está escrito" gera a ilusão de que deveríamos nos despreocupar com o que vai acontecer diante da inegável impotência de mudar isso ou aquilo. Afinal como preparar-se para aquilo que não podemos sequer prever? E se pudéssemos prever tudo o que nos ocorreria? O que faríamos? Ou será que cada um de nós nesse momento podemos dizer que deixaríamos tudo acontecer exatamente como estaria "programado"?
O Homem tenta desesperadamente justificar a sua existência com toda a sorte de crenças e defesas filosóficas e ideológicas. Afinal, o depois sempre foi o nosso terror, e o medo da morte nosso tenaz algoz através das eras. Mas ao final de tudo, o dia de Hoje se torna, mais que qualquer outro, o único dia onde se pode fazer qualquer coisa. Afinal, todos sabemos que acordaremos um dia, e sem sabermos, será o último.
Cabe a cada um de nós escolher hoje o que ser: Como devo ver tudo ao meu redor? Como olhar as outras pessoas? Como interpretar as diferentes situações? O que fazer diante das necessidades alheias? O que fazer diante das minhas necessidades? O que fazer para ser, de fato, feliz, ou pelo menos, delirantemente predisposto a ser?
Creio que esse questionamento é o que permeia, no fundo, as nossas dúvidas quanto à nossa existência. Não penso que deveríamos respondê-lo, mas tê-lo em nós diariamente, penso eu, seria a escolha de uma vida sábia.
Assim penso...
O Cinzento

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